AUTORES: Luciana Oliveira de Sousa & Thiago Silva dos Santos
A pressão arterial (PA) é influenciada pela combinação do débito cardíaco (DC) e da resistência vascular periférica (RVP). Em indivíduos saudáveis e em pessoas com hipertensão arterial essencial, observa-se uma variação no DC, acompanhada por alterações na RVP para um determinado nível de PA. Essa diversidade se manifesta tanto em condições de repouso quanto em situações de esforço físico. Fatores como a contratilidade e o relaxamento do miocárdio, o volume de sangue circulante, o retorno venoso e a frequência cardíaca podem afetar o débito cardíaco. Da mesma forma, a resistência vascular periférica é regulada por diversos mecanismos, incluindo a atuação do sistema nervoso simpático, o eixo renina-angiotensina e a modulação endotelial. Além disso, a RVP está relacionada à espessura das paredes arteriais, com um aumento da resposta ao estímulo vasoconstritor em vasos cujas paredes estão espessadas. Em muitos pacientes com hipertensão arterial, a elevação da PA ocorre devido ao aumento da RVP, enquanto em outros a causa está relacionada ao aumento do débito cardíaco (Albuquerque, 2023).
Segundo Duarte (2022) a hipertensão é conceituada como síndrome caracterizada pela presença de níveis tensionais elevados, associados a alterações metabólicas e hormonais e a fenômenos tróficos (hipertrofias cardíaca e vascular). Os fatores genéticos podem influenciar os níveis de PA entre 30-50%. Com o envelhecimento, a PA torna-se um problema mais significante, resultante do enrijecimento progressivo e da perda de complacência das grandes artérias. Em torno de 65% dos indivíduos acima dos 60 anos apresentam HA, e deve-se considerar a transição epidemiológica que o Brasil vem sofrendo, com um número ainda maior de idosos (≥ 60 anos) nas próximas décadas, o que acarretará um incremento substancial da prevalência de HA e de suas complicações.
Sendo considerada um fator de risco para o desenvolvimento da doença coronária, acelera o processo de aterosclerose e pode ser um fator determinante para o surgimento prematuro de morbidade e mortalidade cardiovascular associado a doença coronária, insuficiência cardíaca congestiva, acidente vascular encefálico e doença renal terminal. Sendo o seu diagnóstico, basicamente, estabelecido pelo encontro de níveis tensionais permanentemente elevados acima dos limites de normalidade. Portanto, a aferição da pressão arterial é o elemento-chave para o estabelecimento do diagnóstico da hipertensão arterial sistêmica. Segundo a VI Diretrizes Brasileiras da Hipertensão (2020) a HAS é uma condição clínica multifatorial, associando-se a alterações funcionais em órgãos como coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos, gerando alterações metabólicas nessas estruturas. Considera-se estado de hipertensão quando os valores de PA são maiores ou iguais 140/90 mmHg, sendo de maior prevalência em pessoas do sexo masculino.
O tratamento para a HA inclui intervenção medicamentosa e também não medicamentosa. Assim, quando não tratada adequadamente a hipertensão pode afetar órgãos vitais, sendo um dos mais graves problemas de saúde pública HA contribui diretamente para a incidência de doenças cardiovasculares, abrangendo também casos de acidente vascular encefálico (AVE) e infarto agudo do miocárdio. Sendo a hipertensão arterial sistêmica considerada uma das patologias cardiovasculares mais prevalentes no mundo, como um dos principais determinantes de mortalidade.
Cabe a vigilância constante dos pacientes que possuem o quadro ou que possuem fatores de risco associados. Destaca-se neste texto a importância da equipe multiprofissional para correto acompanhamento clínico e intervenções de qualidade frente ao indivíduo. Em caso de dúvidas procure sempre um profissional da saúde. Não se automedique.
REFERÊNCIAS
Albuquerque, F. N. P.; Paranhos, M. C. C. G. E.; Silva, N. S. A. Da; Santos, R. S.; Oliveira, G. A. F. Fisiopatologia da hipertensão arterial sistêmica. Revista Científica, Cidade, 1(1), p. 1-10, 2023.
BARROSO WKS, et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, 2020; 116(3): 516-658. Brasil. Ministério da Saúde. Hipertensão. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hipertensao>. Acesso em: 15 mar. 2025.
DUARTE, Pattyelle Alves; PEREZ, Iara Maria Pires. Fatores de risco em pacientes adultos com hipertensão arterial. Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro, v. 1, n. 1, 2022.
Freitas, Waldenice Silva Benoá de; Rodrigues Junior, Omero Martins. O Farmacêutico Comunitário: Intervenções ao uso Inadequado de Medicamentos Anti-Hipertensivos. Cognitionis: Cientific Journal, v. 7, n. 2, p. 01-16, 2024. DOI: <https://doi.org/10.38087/2595.8801.525>.
Kohlmann Jr., O., Guimarães, A. C., Carvalho, M. H. C., Chaves Jr., H. de C., Machado, C. A., Praxedes, J. N., … & Mion Jr., D. III Consenso Brasileiro de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia &Metabologia, [S. l.], v. 48, n. 2, p. 205-220, abr. 2004. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abem/a/DqgfTzHLDkR4ZxXTp5V6bKv/. Acesso em:21 mar. 2025.
PradoJ. P. M. do. (2022). Hipertensão arterial sistêmica: revisão sobre as últimas atualizações. Revista Eletrônica Acervo Médico, 20, e11555. https://doi.org/10.25248/reamed.e11555.2022
RAMOS, Gabriel Fernandes et al. Análise comparativa entre as diretrizes brasileiras de hipertensão arterial sistêmica: revisão de literatura: Comparative analysis between brazilian guidelines on systemic arterial hypertension: literature review. Brazilian Journal of Health Review, v. 5, n. 5, p. 21343-21359, 2022.