e-Saúde: Autismo

Autores: Patrícia dos Santos Rubem & Matheus Lucas Ribeiro

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurobiológica caracterizada por dificuldades na comunicação, interação social e comportamentos repetitivos. A prevalência do TEA tem aumentado nas últimas décadas, levando a uma maior necessidade de compreensão e intervenção adequada. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), o autismo é um transtorno complexo que se manifesta de maneira diversa em cada indivíduo, exigindo abordagens personalizadas para o tratamento e a educação (Oliveira, 2017).

As principais manifestações do TEA envolvem dificuldades na interação social e padrões de comportamento repetitivos ou estereotipados. Crianças com autismo podem apresentar dificuldades na compreensão de expressões faciais, linguagem corporal e nas interações sociais. Além disso, podem ter interesses restritos e alterações sensoriais, como hipersensibilidade a sons ou texturas (Souza, 2021).

O diagnóstico do TEA é clínico e se baseia nos critérios estabelecidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). Ele pode ser identificado já nos primeiros anos de vida, embora casos mais leves possam ser diagnosticados posteriormente. O uso de escalas de avaliação, como a Autism Diagnostic Observation Schedule (ADOS-2) e a Autism Diagnostic Interview-Revised (ADI-R), auxilia na precisão diagnóstica (Fernandes, 2020).

A identificação Precoce do TEA é crucial para o desenvolvimento da criança. Estudos indicam que intervenções realizadas na primeira infância podem melhorar significativamente os resultados a longo prazo. A plasticidade cerebral nesse período permite que as crianças se beneficiem de estímulos adequados, promovendo habilidades sociais e comunicativas, mesmo diante das limitações impostas pelo diagnóstico (Fernandes, 2021).

É fundamental que os profissionais de saúde e educação estejam capacitados para reconhecer os sinais do autismo e implementar estratégias de intervenção eficazes.As abordagens pedagógicas para crianças com TEA incluem métodos como ABA (Análise Comportamental Aplicada), PECS (Sistema de Comunicação por Troca de Figuras) e TEACCH (Tratamento e Educação para Crianças com Autismo e Deficiências Relacionadas). Essas metodologias visam desenvolver habilidades sociais e comunicativas, adaptando-se às necessidades específicas de cada aluno. A formação contínua dos educadores é essencial para garantir que as intervenções sejam adequadas e eficazes, respeitando a singularidade de cada criança (Conceição, 2023).

As políticas públicas também desempenham um papel crucial na inclusão de crianças com TEA na sociedade. É necessário que haja uma legislação que garanta o acesso a serviços de saúde, educação e suporte psicológico. A promoção da conscientização sobre o autismo na sociedade é fundamental para reduzir estigmas e preconceitos, permitindo que as crianças autistas sejam vistas como indivíduos com potencial para contribuir positivamente em suas comunidades (Dourado, 2023).

A pesquisa sobre o TEA deve ser constantemente incentivada. Novos estudos podem trazer à luz abordagens inovadoras e melhores práticas para o tratamento e a inclusão de pessoas com autismo. A colaboração entre profissionais da saúde, educação e famílias é essencial para promover um desenvolvimento integral das crianças autistas, garantindo que elas tenham oportunidades iguais na sociedade (Costa, 2023).

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Referências

CONCEIÇÃO, Marcos Vinicius Nascimento et al. O pape do professor como mediador no ensino da Língua Portuguesa para o aluno com Transtorno do Espectro Autista–TEA. 2023.

COSTA, Aguida Luiza Dias da. Transtorno do espectro autista: a linguagem como instrumento de inclusão social e educacional. 2023.

DOURADO SOUZA AKAHOSI FERNANDES, Amanda et al. Desafios cotidianos e possibilidades de cuidado com crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) frente à COVID-19. Brazilian Journal of Occupational Therapy/Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, v. 29, n. 1, 2021.

FERNANDES, Amanda Dourado Souza Akahosi et al. Desafios cotidianos e possibilidades de cuidado com crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) frente à COVID-19. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, v. 29, p. e2121, 2021.

FERNANDES, Conceição Santos; TOMAZELLI, Jeane; GIRIANELLI, Vania Reis. Diagnóstico de autismo no século XXI: evolução dos domínios nas categorizações nosológicas. Psicologia Usp, v. 31, p. e200027, 2020.

OLIVEIRA, Bruno Diniz Castro de et al. Políticas para o autismo no Brasil: entre a atenção psicossocial e a reabilitação1. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 27, n. 03, p. 707-726, 2017.

SOUZA, Liz Passos Nascimento. Diagnóstico diferencial entre transtorno do espectro autista (TEA) e distúrbio específico de linguagem (DEL). Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 7, n. 7, p 1465-1482, 2021.

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